O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que ainda não pretende marcar uma data para novas eleições na Venezuela. Em coletiva de imprensa realizada no Salão Oval, na Casa Branca, em Washington, ele afirmou que o país “ainda não está pronto” para escolher um novo presidente, após a retirada de Nicolás Maduro do poder no início do ano.

Segundo Trump, a Venezuela está em fase de recuperação de uma “ditadura poderosa, violenta e suja”, e por isso o processo de transição exigiria cautela. Ele disse que muitas pessoas foram presas por motivos políticos durante o regime chavista e que só agora estão sendo libertadas. O presidente norte‑americano assegurou que, embora não haja um calendário definido, a realização de eleições “deve acontecer em breve”.

O líder americano também elogiou a atuação da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez. De acordo com ele, Delcy estaria fazendo “um trabalho muito bom” à frente do governo de transição. Trump declarou que tanto os Estados Unidos quanto a liderança interina e demais atores políticos venezuelanos são favoráveis à realização de futuras eleições, mas insistiu que o momento ainda não é adequado.

A influência de Washington sobre a Venezuela aumentou significativamente após a captura e prisão de Nicolás Maduro, em janeiro de 2026. Desde então, os dois países intensificaram as negociações econômicas e fecharam, no fim de agosto, um amplo acordo na área de petróleo. Anunciado por Trump em 28 de agosto e assinado nesta quarta‑feira em Caracas, o tratado concede aos Estados Unidos o direito de explorar 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas, com participação de grandes companhias, como a Chevron.

Em comunicado posterior, Delcy Rodríguez afirmou que o pacto petrolífero com os EUA deve atrair investimentos bilionários para recuperar a infraestrutura do setor de hidrocarbonetos, gerar empregos, melhorar salários e elevar a qualidade de vida no país. A CNN Brasil destaca que as declarações de Trump, ao mesmo tempo em que adiam a definição do calendário eleitoral, consolidam o papel dos Estados Unidos como ator central na reconstrução política e econômica da Venezuela pós‑Maduro.